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sábado, 25 de julho de 2015

Indústria naval já demitiu 14 mil neste ano

por Antonio Pita e Mariana Sallowicz | Estadão Conteúdo

Indústria naval já demitiu 14 mil neste ano
Foto: Agência Petrobras
O ex-supervisor de solda do estaleiro Rio Nave, no Caju (região central do Rio de Janeiro), Edno dos Santos, completaria 40 anos de trabalho na indústria naval em 2015. A crise que atinge o setor, no entanto, fez com que Santos interrompesse as suas atividades antes do planejado. Como ele, outros 14 mil funcionários foram demitidos dessa indústria somente neste ano, de acordo com estimativas do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). Tido como vitrine da política industrial do governo, o setor naval revive o cenário de crise da década de 80, com dificuldade de financiamento, cortes de encomendas e falta de competitividade no mercado internacional. "É a segunda grande crise da indústria naval que vivencio, mas dessa vez é pior. Na anterior, não fui diretamente afetado, mas agora estou vendo diversos colegas desempregados. Eu, que nunca tinha parado de trabalhar, estou em casa sem perspectiva de conseguir uma vaga", lamenta Santos. Aos 59 anos, ele busca há meses um novo emprego, mas os estaleiros que procurou "ou estão fechando as portas ou em processo de demissão em massa". No último mês, foi o estaleiro Eisa Petro Um, em Niterói, que encerrou as atividades e suspendeu o contrato de mais 2 mil trabalhadores. Agora, os contratos de construção de oito embarcações da Transpetro foram rescindidos e não há previsão de retomada. A situação pode piorar com o corte de 37% nos investimentos da Petrobrás, que suspendeu 9 plataformas e pode acarretar a redução de outros 90 navios de apoio, segundo estimativas do Sinaval. "Estamos apenas no início do processo de crise", avalia Floriano Carlos Martins, professor de Engenharia Oceânica da Coppe/UFRJ. Segundo ele, a indústria repetiu erros da década de 80, quando tinha grande dependência de incentivos e financiamentos públicos, que agora serão reduzidos diante da crise fiscal no País. "É uma situação previsível. Houve tempo para as empresa se estruturarem, melhorarem o desempenho e buscarem competitividade. O dever de casa não foi feito e já se sabia que a ideia de basear a indústria permanentemente em benefícios estatais era errada". Entre os erros, Martins cita ainda a falta de "planejamento consistente" para a gestão dos estaleiros, desenvolvimento de tecnologia nacional e qualificação profissional. Por isso, muitos trabalhadores sofrem para reencontrar uma posição no mercado. Postos de baixo nível técnico ou altamente especializados são os mais atingidos. É o que ocorre com Edno Santos, que hoje não consegue sustentar a família com sua aposentadoria. "Tenho saúde, preciso complementar a minha renda, mas não consigo encontrar nada. O pior é que como tinha uma renda boa, não consigo emprego com salários menores"

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