Últimas Notícias

Post Top Ad

Your Ad Spot

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Discreto, Wagner ocupa espaços no governo da Bahia de olho em 2022

 


por Fernando Duarte

Discreto, Wagner ocupa espaços no governo da Bahia de olho em 2022
Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

O ex-governador Jaques Wagner já não é uma jovem promessa da política há tempos. E este será um dos calos que serão explorados pelo potencial adversário na corrida por mais uma gestão no governo da Bahia, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Porém a “experiência” permite enxergar desde agora os desafios para suceder o próprio sucessor. Isso explica as movimentações políticas feitas nos bastidores e que devem ter reflexo em 2022.

 

Uma das primeiras jogadas de Wagner e do seu entorno foi apaziguar os ânimos entre PSD e PP. À época da tensão pela presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), a ala do governo mais próxima ao senador conseguiu arrefecer os ânimos e encontrou espaço para os aliados sem tantos traumas ou feridas. É claro que nenhum grupo está plenamente satisfeito, porém o “Galego”, como é conhecido, sabe como poucos dizer “não” com um sorriso no rosto. A lábia dele, tornada folclore nos elogios aos olhos azuis feitos reiteradas vezes por Sargento Isidório, é uma das fórmulas para a longevidade da era PT na Bahia. O afilhado político dele, Rui Costa, enrolou o que pôde, porém foi obrigado a admitir essa posição.

 

Até Luiz Inácio Lula da Silva não ter direitos políticos liberados, Rui engrossou o pescoço e tentava se viabilizar como candidato à presidência. Dificilmente emplacaria no PT, dada a condução à mão de ferro do núcleo paulista do partido - leia-se, inclusive, o próprio Lula. O retorno do petista-mor à cena eleitoral, todavia, obrigou o governador baiano a recuar. Apesar de ser considerado um bom administrador, o cacife político dele impediria voos mais altos. Ainda assim, Rui sonhou - afinal, é de graça. Entretanto, além de ver desmoronar as chances de ir ao Planalto em 2022, o governador se viu obrigado a ceder às articulações para impulsionar mais uma vez Wagner, sob risco de isolamento no pós-gestão.

 

Para evitar que o café esfriasse quando ainda está com a batuta, Rui abriu espaço para o front do ex-governador. A prova mais cabal disso foi a nomeação do ex-deputado federal Luiz Caetano para a Secretaria de Relações Institucionais (Serin). Petista no conceito mais clássico, o ex-prefeito de Camaçari perdeu o mandato na Câmara por questões jurídicas e esteve com direitos políticos cessados até muito recentemente. Uma decisão pouco esperada levou à estaca zero os processos e permitiu que Caetano ressurgisse para ser secretário, na condição de homem de Wagner na articulação com lideranças políticas - que vão de prefeitos a deputados até as arraias miúdas dos municípios. Era o que a campanha do senador precisava para usar a máquina de maneira mais discreta e implícita.

 

Aos poucos, a campanha de 2022 para o governo da Bahia ganha contornos menos turvos e mais cristalizados. Apenas uma hecatombe ou uma mudança muito brusca dos ventos pode balançar a dicotomia prevista entre Wagner e ACM Neto. Enquanto o ex-prefeito ainda precisa de um trabalho de formiguinha pelo interior, o senador vai pela frente que mais lhe convém, com a conversa política e a expertise de quem já deu muitas cartas na política estadual. Se a oposição vai usar o “velho” como um problema, o ex-governador pode transformar isso num trunfo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Top Ad

Your Ad Spot